quarta-feira, 18 de julho de 2012

Não há amor sem educação

Recentemente coloquei o seguinte post no meu Facebook.

"-Alô, é da Casa Espírita?
- Sim, posso ajudar?
- Qual o horário do passe?
- Nossa reunião pública acontece às 2ªs e 4ªs feiras, de 20h às 21h30. Nas segundas temos o passe ao final da reunião, e nas 4ªs temos o tratamento espiritual de saúde.
- Mas eu não quero participar da reunião nem do tratamento. Quero só tomar o passe pra resolver o que tenho."

Trata-se da reprodução de uma ligação que eu tinha atendido naquele dia.
Em seguida, fiz uma crítica sobre como o ser humano tem por hábito não se envolver genuinamente na solução dos nossos problemas. Um parêntesis: como sou ser humano, estou inclusa. Fecha parêntesis.
O objetivo era exteriorizar minha percepção e o relato da ligação que atendi foi apenas um EXEMPLO. O fato é que isso acontece em várias situações de nossa vida.

Várias pessoas comentaram , de diversos lugares do Brasil, informando que nas Casas Espíritas onde frequentam sempre acontecem casos semelhantes. Houve quem manifestasse sua opinião, dizendo que não cabe crítica, já que a pessoa "está dando o primeiro passo".

Bom, eu não me propus a falar sobre a importância do primeiro passo.
A importância é notória.
O que eu me disponibilizei a dizer vai além: refletir sobre o quão importante é a EDUCAÇÃO em nossa vida. Afinal, EDUCAR, segundo o dicionário, é a "ação de desenvolver as faculdades psíquicas, intelectuais e morais."

Hoje eu não concebo a existência de uma relação de crescimento, seja em que âmbito for, se não houver um caráter educativo. Jesus, que tanto amou enquanto esteve aqui, jamais foi compassivo.
Ele educou. Foi um pedagôgo competente e o amor estava sempre presente em suas ações. Nosso Mestre não passou a mão na cabeça de ninguém.
Sempre que penso nisso me recordo do episódio com a mulher adúltera.
Ele não apenas mostrou a ela que ela merecia o perdão, como a educou, dizendo "Vá e não peques mais".

Eu passei algum tempo da minha vida frequentando um lugar semanalmente para tomar meu passe.
Era uma rotina sem reflexão. E neste local não havia nenhuma orientação, acompanhada do passe, que esclarecesse quanto à necessidade da reeducação das minhas EMOÇÕES.
Havia sim orientações quanto à necessidade da reeducação do meu COMPORTAMENTO. Mas como mudar qualquer comportamento sem entender de onde ele vem, porque ele vem? É, no mínimo, uma incoerência. 
Eu me culpava quando não podia ir e se algo naquela semana não desse certo, eu logo colocava a culpa no passe que eu não tomei. E na semana seguinte quando eu ia, ficava aliviada pelo passe, e extremamente angustiada porque ouvia um palestrante ditando comportamentos esperados de um espírita que estavam bem distantes do que eu conseguia fazer.
Olha... era frustrante! Tanto que eu acabei desanimando e me afastei. Pelo menos a angústia era menor.

Algumas coisas na minha vida começaram a mudar somente depois que eu comecei a mudar a mim mesma. E eu mal comecei.... Tem muita mudança a ser feita ainda.

O foco de tudo o que estou escrevendo não é colocar a metodologia das casas espíritas em questão.
É mais que isso! É colocar em questão a metodologia que adotamos na resolução dos nossos problemas, sejamos espíritas ou de qualquer outra religião. Ou nem tenhamos religião.


Não dá para esperar soluções mágicas. Essa é a consciência que está faltando em muitos: necessitados de ajuda e dispostos a ajudar. Sim! Se estamos na posição de ajudar, temos que ter compromisso com essa ação. Precisamos ensinar a pescar para que o assistencialismo seja apenas uma mola propulsora na vida de quem é ajudado. Afinal, amamos ou não nosso semelhante? Queremos ver ele melhor ou atrás da nossa ação está uma boa dose de orgulho e vaidade? Temos que fazer esta reflexão sempre, se de fato quisermos ajudar: ao outro e principalmente a nós mesmos.
Isso daria assunto para um post exclusivo. Deixarei só a pulga atrás da orelha.

É preciso dar o primeiro passo sim.
Mas um passo orientado, para que o segundo e os demais que ainda virão sejam dados na direção esperada.
Do contrário, serão passos tortos que nos farão andar em círculos.
Vamos pra frente?

É isso. Tive vontade de escrever.

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